segunda-feira, 17 de julho de 2017

Uma sinfonia.




Por me preocupar em te encontrar, me perdi.
Todos os caminhos que busquei me cegaram.
O centro da busca era você e tudo ao redor não me importava, ainda que eu olhasse não enxergava e, quando me desesperava não ouvia.
O cansaço tomou conta e eu finalmente me sentei, e quando olhei, bem na minha frente eu finalmente pude ver.
A brisa que soprava era você me dizendo o que fazer, pedindo pra andar mais devagar e olhar tudo em volta.
Tudo vêm... Tudo se vai um dia... Mas há marcas deixadas por nós por onde passamos.
Toda despedida reserva um novo começo. Todo tipo de adeus tem em si a arte de deixar espaço para que o novo comece e ocupe o espaço vazio, devagar ele toma conta, deixa marcas e, um dia também se despede.
As marcas deixadas pelo vazio do adeus recebe o nome de saudade, no seu início doloroso e escuro e, no recomeço, bonito e calmo como uma brisa.
Sinfonia linda que emociona e acalma... Traz alento e um belo sorriso em seu rosto.


Segue o rock!

domingo, 21 de maio de 2017

Um sorriso distorcido e a fábula do tempo.




Mais um texto sem “nexo” escrito do escuro de qualquer canto de um quarto onde às vezes se ilumina pela luz do poste da rua que entra sem permissão, pela fresta da janela.
Mais um recado mandado sem resposta, uma carta extraviada pelo caminho que a vida escolheu pra cada um de nós.
A chuva incessante cai devagar parecendo dizer que vai aumentar logo após você cochilar, cansado, em um sono lento e pesado. O sono que deve vir assim que você colocar a caneta e o papel de lado, tomar a última dose do seu whisky barato, em um exercício diário que prevê manter seu equilíbrio e felicidade no bolso, sempre por perto e seu desequilíbrio em uma linda prateleira, junto com os remédios.
Quanta emoção se passa no velho Circo Desengano!
Idas e vindas, lágrimas e sorrisos, verdades… um monte delas. Culpados e desculpados, uma porção de desculpas. Quando a gente descobre que “acontecer” não depende só da gente, é entender que o “tempo” está mostrando que ele é mais sábio e mais forte e que devemos aceitar, às vezes, determinadas imposições que a vida nos coloca. É entender que tempo é muito tempo e, muito tempo pode ser mais do que horas ou dias. Pode ser mais que uma vida toda, pode estar além do que se  pode ver ou tocar, pode estar longe demais.
À você que afirmou que existia solidão naquele sorriso, brindemos.
Um brinde ao Tempo! Tão sábio e distante! Sorria pra nós assim que puder!

segue o rock!

domingo, 5 de março de 2017

Em uma tarde de fevereiro.





É mais um final de tarde quando eu subia a rua lhe fazendo companhia até o ponto de ônibus. Mais uma daquelas tardes que me lembro até hoje.
É como se a memória da gente fosse uma Polaroid e registrasse cada momento e depois guardasse cada foto em uma velha caixa de sapatos que fica guardada na casa dos nossos pais e que só é aberta na semana do nosso aniversário.
A diferença aqui é que eu guardei a caixa de sapatos bem lá no fundo do armário e não a abri mais, por muitos e muitos anos.
Quem iria saber que aquele dia, ao embarcar, ela teria que tomar um novo rumo? Eu fiz o que todo desenganado nato faria! Esperei a próxima visita e, dessa vez, não voltaria com um vazio dentro de mim. Dessa vez antes que ela pisasse naquele ônibus eu iria dizer tudo aquilo que há muito tempo estava dentro de mim, ou simplesmente iria pedir para que pegasse o próximo ônibus, e assim, pudéssemos conversar um pouco mais.
Na verdade era só você ficar um pouco mais, ali do lado, sem fazer nada.
Cada carta escrita e guardada expressa uma quantidade enorme de dias esperando que ela voltasse. Quando a conta tomou a proporção de anos conheci a palavra “esperança” que, gentilmente, me apresentou o velho, porém, sempre bom Blues que por sua vez me fez sonhar ainda mais com aquele dia.
Seguem os anos e a gente fica pensando como seria se naquela tarde eu tivesse dito o que ensaiei todas aquelas tardes depois que ela ia embora.
Hoje em dia quando fecho os olhos e me lembro daquelas tardes parece muito claro o que fazer.
Quando o ônibus parava e ela sorria se despedindo eu sinto que pego em seus braços e peço pra que volte!
Todos os dias!
Pra sempre!
Mas eu não a segurei pelos braços e a deixei ir.
Mas quando alguém se despede sorrindo é porque um dia vai voltar. Isso a esperança me ensinou!

Viva a filosofia de boteco que sempre nos fez acreditar que o mundo é redondo por um único motivo! Tudo volta um dia, inclusive aquele ônibus!
E na verdade quando você descia a rua olhando para o nada, decepcionado por não ter impedido que ela embarcasse, sentiu uma mão segurar a sua, e entrelaçadas, depois de sentir seu coração disparado e suas pernas trêmulas, ouvir da boca dela, que vai ficar mais um pouco. Que vai ficar!

Circo desengano. A bailarina e o palhaço. Esperança!

Finalmente diga aquilo que sempre quis falar!

“Vida louca vida, vida imensa” Cantaria Cazuza.


Segue o rock!